Em
meio aos avanços das IAs, fechar os olhos e fingir que o mundo não está
mudando — ou acreditar que essas mudanças são reversíveis — é uma forma
de negação.
Um autoengano que pode nos levar por caminhos de procrastinação e perdas consideráveis, tanto no campo da cognição quanto nos aspectos sociais, financeiros e emocionais.
O
mundo está mudando. Não sei se para melhor ou para pior — acho difícil
julgar essas questões a partir do meu lugar de fala. As tecnologias, ao
mesmo tempo em que trazem avanços e melhorias, também podem gerar
prejuízos e desafios. Assim caminha a humanidade.
É óbvio que mudanças geram ansiedade, despertam expectativas e, em alguns casos, alimentam ilusões. Algumas
pessoas imaginam que a inteligência artificial poderia resolver muitos
problemas da humanidade; outras temem que ela possa contribuir para um
enfraquecimento das relações humanas, da autonomia ou até de
determinadas formas de trabalho. Ansiedade por IA - O medo de substituição
Em meio aos avanços das IAs, fechar os olhos e fingir que o mundo não está mudando — ou acreditar que essas mudanças são reversíveis — é uma forma de negação.
Um autoengano que pode nos levar por caminhos de procrastinação e perdas consideráveis, tanto no campo da cognição quanto nos aspectos sociais, financeiros e emocionais.
O mundo está mudando. Não sei se para melhor ou para pior — acho difícil julgar essas questões a partir do meu lugar de fala. As tecnologias, ao mesmo tempo em que trazem avanços e melhorias, também podem gerar prejuízos e desafios. Assim caminha a humanidade.
Ansiedade por IA - O medo de substituição
O que é Ansiedade?
Ansiedade deriva do latim anxiosus, e significa "inquieto". Trata-se de um conjunto de emoções primitivas que têm como objetivo garantir a nossa sobrevivência.
Considerando que a ansiedade é uma resposta natural do organismo diante de situações percebidas como ameaçadoras, talvez tenhamos aqui uma das chaves para compreender a ansiedade relacionada às IAs: algumas pessoas podem desenvolver preocupações sobre suas colocações futuras, sua estabilidade profissional e sua capacidade de adaptação diante das mudanças tecnológicas.
Sabemos que, em níveis adequados, a ansiedade pode ser útil, auxiliando na adaptação, na antecipação de riscos e na tomada de decisões. Mas quais seriam os níveis adequados?
Vamos responder mais a frente - Agora precisamos definir Ansiedade
O que é Ansiedade
Tanto a CID-11 (Classificação Internacional de Doenças) quanto o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) descrevem diferentes transtornos de ansiedade, cada um com critérios diagnósticos específicos.
É um processo cognitivo-emocional e físico em resposta aos estímulos do ambiente, que quando exagerados, geram um estado de desconforto emocional, eliciando emoções ruins, pensamentos disfuncionais e catastróficos, tornando-se um transtorno de ansiedade.
Os sintomas da ansiedade podem variar de pessoa para pessoa, mas costumam envolver aspectos emocionais, físicos e cognitivos.
Entre os mais comuns estão a preocupação excessiva, medo constante, irritabilidade e dificuldade para relaxar.
No corpo, podem surgir palpitações, tensão muscular, sudorese, sensação de falta de ar e desconfortos gastrointestinais.
Também é frequente a presença de pensamentos repetitivos, sensação de perda de controle e dificuldade de concentração, impactando a rotina e o bem-estar.
Ansiedade Normal x Ansiedade Patológica
Nem toda ansiedade merece tratamento.
É natural e esperado que fiquemos ansiosos diante de apresentações, encontros ou provas.
É uma condição natural do ser humano que só se torna um transtorno se assumir proporções disfuncionais.
Já a ansiedade patológica é uma resposta desproporcional, caracterizada por sintomas intensos e duradouros que interferem na qualidade de vida.
SAIBA MAIS SOBRE OS GATILHOS DA ANSIEDADE
Ansiedade por medo das IA's - Quando se torna um problema
Ansiedade por medo das IAs — quando se torna um problema
O medo relacionado às IAs pode fazer parte de uma resposta emocional compreensível diante de mudanças rápidas e, em certa medida, pode até ajudar na adaptação.
No entanto, ele tende a se tornar um problema quando deixa de funcionar como um sinal de alerta e passa a ocupar um espaço desproporcional na vida da pessoa.
Isso pode acontecer quando a preocupação com o futuro se torna constante, difícil de controlar e começa a interferir no presente.
Em vez de estimular planejamento ou adaptação, o medo passa a gerar evitação, paralisia ou comportamentos de fuga — como evitar decisões importantes, adiar mudanças necessárias ou manter-se em um estado de preocupação contínua sem ação concreta.
Em alguns casos, esse tipo de ansiedade pode começar a afetar o sono, a concentração, o desempenho profissional e até os vínculos sociais. A pessoa pode sentir que está sempre “atrasada” em relação ao mundo, mesmo sem evidências claras disso, ou pode experimentar uma sensação persistente de ameaça em relação ao futuro.
Tratamento da ansiedade
O tratamento da ansiedade exige uma visão integral do indivíduo, geralmente envolve uma combinação de psicoterapia e, quando indicado, medicação.
A psicoterapia, oferece um momento de escuta e compreensão, possibilitando identificar causas, gatilhos e estratégias de enfrentamento a partir dos recursos cognitivos, emocionais, comportamentais e sociais que as pessoas dispõem.
O acompanhamento psiquiátrico pode ser indicado para casos mais avançados, incluindo o uso de medicamentos que ajudam a reduzir os sintomas e estabilizar o quadro.
A Ansiedade no Brasil e no mundo
Segundo a OMS, o Brasil tem a maior população ansiosa do mundo (18,6 milhões de pessoas).
O aumento da Ansiedade no mundo
Segundo os dados do Relatório Mundial de Saúde Mental de 2022, da Organização Mundial da Saúde (OMS), ansiedade é um problema muito comum na sociedade. As estatísticas revelaram que, no mundo inteiro, cerca de 1 bilhão de pessoas tem algum transtorno mental, sendo 31% com ansiedade. (Fonte: MInha Saúde)
Referências
• Aaron T. Beck; Vencendo A Ansiedade e a preocupação com a Terapia Cognitivo-Comportamental. Trad. David A. Clark; 2014.
• American Psychiatric Association. APA. DSM-5. 2012.
• OMS/Revista Exame (2019): Brasil é o país mais ansioso do mundo.
SAYÃO, Rosely. A ansiedade e a depressão presentes. O Estado de S. Paulo, São Paulo. Disponível em: https://www.estadao.com.br/educacao/rosely-sayao/a-ansiedade-e-a-depressao-presentes/?
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5-TR. 5. ed. texto revisado. Porto Alegre: Artmed, 2023.
BECK, Aaron T.; CLARK, David A. Anxiety and worry: cognitive perspectives. Journal of Anxiety Disorders, v. 11, n. 1, p. 1–11, 1997.
CLARK, David A.; BECK, Aaron T. Cognitive therapy of anxiety disorders: science and practice. New York: Guilford Press, 2010.
BARLOW, David H. Anxiety and its disorders: the nature and treatment of anxiety and panic. 2. ed. New York: Guilford Press, 2002.
STEFAN, Katja et al. Anxiety and uncertainty in the digital age: psychological perspectives. Current Opinion in Psychology, v. 36, p. 1–6, 2020.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). World mental health report: transforming mental health for all. Geneva: WHO, 2022. Disponível em: https://www.who.int. Acesso em: 27 maio 2026.
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